AULAS PREVISTAS: 08 a 10 aulas
PÚBLICO ALVO: 6ª série/7º ano do Ensino Fundamental
CONTEÚDO: Leitura de texto
com traços característicos de Crônica Narrativa
OBJETIVO: Espera-se que o aluno ao final da atividade reconheça um
texto narrativo - conto; e que desenvolva as habilidades de leitura, ampliando
sua capacidade de leitura e escrita.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: inferir e
reconhecer elementos da narrativa, reconhecer
características do gênero “conto”, analisar características
do conto e desenvolver competência leitora.
RECURSOS: Texto impresso - repartido em duas partes; lousa e giz;
sala de informática; dicionário; Datashow.
ESTRATÉGIAS: análise e comparação do
conto em diferentes mídias, fazendo intervenções por meio
de estratégias de leitura.
ETAPA 01. -
ANTECIPAÇÃO
1. Antes
da apresentação do texto levar os alunos para a Sala de Informática para que os
alunos possam pesquisar sobre o escritor Moacyr
Scliar. E para pesquisar imagens de CAIS, pois a história a ser lida se passa no cenário de um
cais.
ETAPA 02. –
LEVANTAMENTO DE CONHECIMENTOS PRÉVIOS
1. Apresentar
o título do texto – PAUSA
2. Perguntar
aos alunos o que o nome do texto sugere?
3. O
que vem a mente quando falamos em PAUSA?
4. O
que eles esperam do texto a ser lido?
·
Faz- se um banco de dados na lousa com tudo o
que os alunos falarem. Estabelecendo previsões sobre a leitura a ser realizada.
5. Estudo
do Léxico – Sinônimos e Definições da palavra PAUSA.
ETAPA 03. – LEITURA
DO TEXTO
1. Entregar
para os alunos somente metade do texto para ser lido.
(Partir o texto
até a parte que fala – Aqui meu bem...).
PAUSA
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da
cama, correu para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e
sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,
bocejando:
—Vais
sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a
fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita,
deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
—Todos
os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.
—Temos
muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
—Por
que não vens almoçar?
—Já
te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que
voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
—Volto
de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel
tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os
guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o
pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras.
Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou
furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho
que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos,
pôs-se de pé:
—Ah!
Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
—Estou
com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
—
Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante.
Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado,
olharam-no com curiosidade:
—Aqui,
meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
2. Ler
o texto em voz alta, de forma compartilhada, sublinhando as palavras
desconhecidas.
3. Pedir
que os alunos imaginassem o final da história até aí e escreva o final em 01
parágrafo – mantendo a forma descritiva do texto. Compartilhar os finais.
Fazendo previsões sobre o final da história.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta
a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho:
a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas
esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na
mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho
franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel
de embrulho, deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a
move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um
círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície
imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o
galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas,
corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor
lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio
acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor,
Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da
cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
—
Já vai, seu Isidoro?
—Já
– disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
—Até
domingo que vem seu Isidoro – disse o gerente.
—Não
sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.
—O
senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um
instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado.
Depois, seguiu. Para casa.
(in: Alfredo Bosi, org. O conto brasileiro contemporâneo.
São Paulo: Cultrix, 1977. p. 275)
4. Entregar
a outra parte do texto e terminar a leitura. Continuando o trabalho de pesquisa
com o vocabulário desconhecido.
5. Após a leitura do texto, checar juntamente com
a sala se a leitura foi o que se esperava se, se enterram o porquê da pausa.
Chegando num consenso acerca da história lida. – Compreensão global do texto.
ETAPA 04. –
TRABALHANDO COM O TEXTO
1. Como
os alunos pesquisaram palavras desconhecidas, pedir que os mesmo utilizem esta
palavra em outro contexto, outra frase.
2. Falar
sobre a tipologia e o gênero do texto lido – suas características.
3. Trabalhar
com os elementos da narrativa: Quem? Quando? Onde? Por quê? O que?
4. Trabalhar
com o foco narrativo- passando um trecho da história da 2ª pessoa para a 3ª
pessoa do singular.
5. Trabalhar
descrição de personagens (física e psicológica) e a descrição do ambiente.
6. Trabalhar
com discurso direto – indireto em apenas um trecho da história.
ETAPA 05 –
INTERDISCIPLINARIDADE
1. Levá-los
ao Datashow, mostrar para eles o vídeo da música Cotidiano de Chico Buarque de
Holanda na versão de Seu Jorge – animação. Perceber e reconhecer o que é uma
rotina – tentando fazer uma relação com o texto.
2. Passar
os filmes: Click (exemplo de um cotidiano que pode ser mudado sempre) e o filme
Como se fosse à primeira vez (exemplo de um cotidiano que não pode ser mudado).
Discutindo o que eles gostariam que mudassem em sua rotina.
AVALIAÇÃO:
A avaliação
será feita em todo o percurso da atividade – mas para fechamento do trabalho
pedirei para que os alunos façam uma produção textual narrativo – descritivo
sobre a rotina de seu domingo. Fazendo sempre a relação com o texto lido e
trabalhado. E depois passe este texto em forma de quadrinhos. Sendo estes
expostos na sala de aula.
SUGESTÕES COM OUTROS
FILMES E LIVROS:
- Efeito Borboleta
- Metamorfose - de Kafka
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