sábado, 15 de junho de 2013

Situação de Aprendizagem - texto Pausa de Moacyr Scliar



DISCIPLINA: Língua Portuguesa
AULAS PREVISTAS: 08 a 10 aulas
PÚBLICO ALVO: 6ª série/7º ano do Ensino Fundamental
CONTEÚDO: Leitura de texto com traços característicos de Crônica Narrativa
OBJETIVO: Espera-se que o aluno ao final da atividade reconheça um texto narrativo - conto; e que desenvolva as habilidades de leitura, ampliando sua capacidade de leitura e escrita.
COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: inferir e reconhecer elementos da narrativa, reconhecer características do gênero “conto”, analisar características do conto e desenvolver competência leitora.
RECURSOS: Texto impresso - repartido em duas partes; lousa e giz; sala de informática; dicionário; Datashow.
ESTRATÉGIAS: análise e comparação  do conto em diferentes mídias, fazendo intervenções por meio de estratégias de leitura.

ETAPA 01. - ANTECIPAÇÃO
1.       Antes da apresentação do texto levar os alunos para a Sala de Informática para que os alunos possam pesquisar sobre o escritor Moacyr Scliar. E para pesquisar imagens de CAIS, pois a história a ser lida se passa no cenário de um cais.

ETAPA 02. – LEVANTAMENTO DE CONHECIMENTOS PRÉVIOS
1.       Apresentar o título do texto – PAUSA
2.       Perguntar aos alunos o que o nome do texto sugere?
3.       O que vem a mente quando falamos em PAUSA?
4.       O que eles esperam do texto a ser lido?
·         Faz- se um banco de dados na lousa com tudo o que os alunos falarem. Estabelecendo previsões sobre a leitura a ser realizada.
5.       Estudo do Léxico – Sinônimos e Definições da palavra PAUSA.

ETAPA 03. – LEITURA DO TEXTO
1.       Entregar para os alunos somente metade do texto para ser lido.
(Partir o texto até a parte que fala – Aqui meu bem...).

PAUSA
 Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
            —Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
            —Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.
            —Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
            —Por que não vens almoçar?
            —Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
            —Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
            —Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
            —Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
            — Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
            —Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.

2.       Ler o texto em voz alta, de forma compartilhada, sublinhando as palavras desconhecidas.
3.       Pedir que os alunos imaginassem o final da história até aí e escreva o final em 01 parágrafo – mantendo a forma descritiva do texto. Compartilhar os finais. Fazendo previsões sobre o final da história.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. 
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
            — Já vai, seu Isidoro?
            —Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
            —Até domingo que vem seu Isidoro – disse o gerente.
            —Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.
            —O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

(in: Alfredo Bosi, org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1977. p. 275)

4.       Entregar a outra parte do texto e terminar a leitura. Continuando o trabalho de pesquisa com o vocabulário desconhecido.
5.        Após a leitura do texto, checar juntamente com a sala se a leitura foi o que se esperava se, se enterram o porquê da pausa. Chegando num consenso acerca da história lida. – Compreensão global do texto.

ETAPA 04. – TRABALHANDO COM O TEXTO
1.       Como os alunos pesquisaram palavras desconhecidas, pedir que os mesmo utilizem esta palavra em outro contexto, outra frase.
2.       Falar sobre a tipologia e o gênero do texto lido – suas características.
3.       Trabalhar com os elementos da narrativa: Quem? Quando? Onde? Por quê? O que?
4.       Trabalhar com o foco narrativo- passando um trecho da história da 2ª pessoa para a 3ª pessoa do singular.
5.       Trabalhar descrição de personagens (física e psicológica) e a descrição do ambiente.
6.       Trabalhar com discurso direto – indireto em apenas um trecho da história.

ETAPA 05 – INTERDISCIPLINARIDADE
1.       Levá-los ao Datashow, mostrar para eles o vídeo da música Cotidiano de Chico Buarque de Holanda na versão de Seu Jorge – animação. Perceber e reconhecer o que é uma rotina – tentando fazer uma relação com o texto.
2.       Passar os filmes: Click (exemplo de um cotidiano que pode ser mudado sempre) e o filme Como se fosse à primeira vez (exemplo de um cotidiano que não pode ser mudado). Discutindo o que eles gostariam que mudassem em sua rotina.

AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita em todo o percurso da atividade – mas para fechamento do trabalho pedirei para que os alunos façam uma produção textual narrativo – descritivo sobre a rotina de seu domingo. Fazendo sempre a relação com o texto lido e trabalhado. E depois passe este texto em forma de quadrinhos. Sendo estes expostos na sala de aula.

SUGESTÕES COM OUTROS FILMES E LIVROS:
- Efeito Borboleta
- Metamorfose - de Kafka


Nenhum comentário:

Postar um comentário